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6 de Setembro de 2015...14H30m

... nunca irei esquecer este dia e esta hora... Ao ver o médico ao fundo do corredor a dirigir-se a nós a a fazer sinal com a cabeça dizendo que não... o coração partiu-se... parece que parou por momentos.... sendo que na realidade foi o teu que deixou de bater. A partir dai tudo mudou, a nossa vida não é mais a mesma por muito que se tente. O meu pensamento está sempre em ti, qualquer coisa que faça tem sempre que estar ligada a ti. É uma dor que não se consegue explicar, pensar que nunca mais te poderemos ver nem impensável. Estamos sempre à espera de uma chamada tua, de um sinal teu, de ouvir a tua voz, mas na realidade isso nunca mais pode acontecer. Por vezes pergunto "Porque tu?", uma pessoa cheia de fé, cheia de vida, com tudo para ser feliz, um marido, dois filhos, dois netos, já reformada, tudo para seres feliz e derrepente, vem uma doença "estúpida" e leva-te de nós sem dar hipótese de lutares um bocadinho que fosse. Há tanto que ficou por dizer, tanto...

A última conversa...

Faz hoje um ano que sem sabermos falamos pela última vez, aquela que foi a última conversa, a última vez que ouvi a tua voz. Fui visitar-te e tinhas chegado de fazer um exame médico, estavas exausta mas como sempre querias falar, mostrar a tua barriga, mais precisamente o local onde te tinham feito o exame. Pedi-te para desacansares que tínhamos muito tempo para falar mas afinal não tínhamos assim tanto, restava-nos poucos minutos e nós não sabíamos. Pediste para ver os teus netos e eu neguei aquele que foi o teu último pedido... Hoje arrependo-me de não ter feito essa tua vontade. Espero que tenhas compreendido o motivo de não te deixar ver os meninos, o local não era apropriado para eles, o teu estado debilitado poderia assustar o Guilherme, para além disso achava que teríamos muitos dias, meses e anos para teres os teus netos junto de ti. Desculpa por não ter acedido ao teu pedido.  Parece que ainda te estou a ouvir "deixa-me ver o Guilherme, ele põem a máscara e pode entrar...